* QUE QUERES QUE EU TE FAÇA?

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De vez em quando, chegamos a Deus com o pedido errado. Nesses casos, será que não são as nossas atitudes que precisam de modificação? Até no final do ministério de Jesus, os seus discípulos tinham muito a aprender. Vinham ouvindo Jesus ensinar, mas leva tempo para realmente compreender coisas novas. Jesus os ensinava de muitas maneiras. Em certa ocasião tiveram mesmo que aprender a lição de Jesus com um mendigo cego.

Jesus e seus discípulos estavam caminhando para fora de Jericó quando um mendigo começou a aprontar uma cena. Havia uma multidão ao redor, e este cego percebeu que Jesus estava passando por perto. Provavelmente tinha ouvido falar de que Jesus havia curado um cego em outra cidade. Teria sonhado de ter a bênção de um encontro com Jesus, um sonho apaixonante. Percebia que a sua única oportunidade de obter uma nova chance na vida encontrava-se em Jesus. Ninguém jamais havia curado um cego até Jesus entrar em cena. Era a sua única chance!

Percebendo que Jesus vinha pelo caminho, começou a berrar. “Jesus, Filho de Davi! Tenha misericórdia de mim!”. O povo indignou-se com o alvoroço do mendigo e mandou que se calasse, afinal, a sua cegueira era comprovação para eles que sofria o castigo de Deus por causa de algum pecado, ou seu ou dos seus pais. A sua condição era, para o povo, justa e merecida.

Ele berrava e a multidão o repreendia, berrava ainda mais, logo tudo mudou. Jesus ouviu os berros do cego e mandou que o chamasse, este jogou para o lado a sua capa e apressou-se para ir ter com Jesus. A multidão, agora o ajudando, o incentivava. Chegando para Jesus e Jesus lhe perguntou “Que queres que eu te faça?”.

Que pergunta boba! Que outra coisa pediria um cego, senão a oportunidade de ver? Será que Jesus era cego também? Será que não sabia distinguir um cego? Se nem ao menos reconhecia a sua cegueira, como poderia curá-lo?

Pego de surpresa, o cego respondeu, “Mestre?! Que eu veja!”. “Vai a tua fé te salvou”.
Às vezes, as perguntas de Jesus são cruciais para entender uma passagem. Às vezes, deveríamos questionar mais as narrativas de Jesus, em vez de passar por cima de algum detalhe que parece estranho.

Porque será que Jesus teve de perguntar ao cego o que ele queria? Será que não sabia que o cego queria ver? Para entender o episódio, é necessário apreciar um pouco do conjunto. Como normal nos evangelhos, a atenção do narrador não está voltada para este cego que recebeu vista, nem ao fato de que Jesus pôde curá-lo. A atenção do narrador concentra-se na interação entre Jesus e os seus discípulos. É nesta interação que se compreende aquilo que Jesus estava tentando ensinar a respeito do Reino.
Os discípulos vinham seguindo Jesus, ouvindo as suas palavras e vendo os seus feitos milagrosos, porém não quer dizer que compreendiam a mensagem do Mestre. Na maioria dos casos, um aprendizado real leva tempo para integrar aquilo que se ouve, como também era o caso dos discípulos.

Na passagem imediatamente anterior ao relato de Bartimeu, dois discípulos chegam a fazer um pedido para Jesus. Nesse relato encontramos Jesus fazendo a mesma pergunta que fez a Bartimeu, porém a resposta dos discípulos é diferente.

Estes dois irmãos chegaram a Jesus e disseram: “Mestre, diga sim!”. Quantas vezes já ouvimos crianças fazerem o mesmo tipo de pedido! Do mesmo modo que um pai questiona a intenção da criança, Jesus questiona a intenção dos discípulos: “Que queres que eu te faça?”.

Estavam fazendo o pedido errado. Queriam ser os mais importantes no Reino, mas não haviam ainda compreendido o que o Reino era. Não entendiam o que deveriam pedir de Jesus. Foi necessário que aprendessem com um mendigo.

Sabiam que Jesus era o Cristo, mas não tinham o mínimo de uma idéia do que isto significava. Tinham olhos, mas não viam. Tinham ouvidos, mas não ouviam. Eram cegos, porém não percebiam a sua própria cegueira.

Jesus começou a ensiná-los a respeito da diferença entre as suas expectativas do Reino e a realidade do Reino. Ainda assim não enxergavam a realidade. Em lugar de pedir ajuda na compreensão, insistiram na sua perspectiva falha. Um mendigo cego ensinou a pergunta certa.

Proferiu o pedido que os próprios discípulos não sabiam fazer—“Mestre! Que eu veja!”.

É bem fácil criticar os discípulos pela sua falta de visão, porém somos tentados a cair nos mesmos entraves e nos mesmos problemas. Como eles, queremos que Deus faça conforme nós enxergamos e queremos quando a perspectiva do Criador nos aponta outra direção.
Pedimos incorretamente, pois não enxergamos adequadamente.

Precisamos aprender a pedir como Bartimeu.
Precisamos pedir de Deus uma nova perspectiva.
Precisamos alinhar as nossas vidas conforme a orientação do Criador, não querer alinhar o Criador dentro dos nossos moldes!

“Mestre, Que eu Veja!”. Que eu veja a vida como Tu a vês. Que eu veja esta circunstância conforme a tua vontade. Que eu possa enxergar a Tua vontade e o Teu propósito. “Mestre, que eu veja como tu queres!”.

DEVOCIONAL ABBA

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